Soneto do espelho

As figuras que habitam meu espelho
Estão - ao que parece - de mudança.
Ao certo ainda não sei que desvairança
Veio a culminar nesta intriguelha.

Nem mesmo imaginar eu poderia
Que raio de lambança veio a ser
Do nada, de repente. E, sem saber
Qual o motivo dessa antipatia,

Sou obrigado a ouvir os desaforos,
Os impropérios, coices e as pragas
Que esses seres loucos, sem decoro

Algum me vem lançando feito adagas!
E ainda, aumentando o oxímoro,
Para ficar exigem sobrepaga!


 
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Fernando Fagundes