Soneto do dom perdido

A vida, amigo, espera que se viva
Porque ela é força, e força quer-se usar.
Se assim não fosse a vida, a quem se dar
Os poetas iriam em suas cantigas?

De que o canto mais nobre serviria
Num mundo sem o gosto de gostar?
Como os bosques se iriam consolar
Sem canções a atiçar as sensitivas?

Num certo dia a dor apareceu,
E fez de tudo um campo saturnino.
Num certo dia a vida se perdeu,

E, de perdida, a vida, grã alcíone
Que um dia nossos passos já regera,
Já não alume nem uma lamparina.


 
Site feito por 
Fernando Fagundes