Soneto do amor patético

Enamorado devo estar, pois, quando
A tarde vem chegando, eu já me ponho
A esperá-la, como que num sonho,
Passar por esta rua em passo brando,

Tão leve! mais que diáfana flanando!...
E eu cá, devaneando em entresonho,
Mal como, e até o vinho é-me enfadonho;
Não quero embevecer-me que amando!

Se soubesses o ardor que vem-me ao peito
Ao ver-te emoldurada na janela,
Não passavas assim, por mim, tão bela!

Já te trancafiavas, receando
Que, sem querer, um dia se encontrando
Nosso mirar, eu caia da janela!


 
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Fernando Fagundes