Soneto do amar demais

Quando em tristeza o nosso amor se fez,
Um monocromo outono apascentava,
Tardonho, o plúmbeo aspecto da tez
Em nossos corpos, cujas veias cavas

Viam parcos influxos, ao invés
Da torrente pulsante que brotava,
Harmoniosa, quando, no sopé
De montes florescentes, se dançava.

Não havia mais vida em teu rosto;
De meu peito quedara o doce canto;
Esfez-se, deste modo, em nós o gosto

E o arrebatamento de um encanto.
Pois tudo que é demais recai no oposto;
"Do excesso de riso, tem-se o pranto".


 
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Fernando Fagundes