Soneto de solidão

Nestes tempos cinzentos em que o mundo
Parece desbotar-se lentamente,
Sinto-me fraco, como que doente;
Leso, de um desvario oriundo

Da muita sobriedade; e iracundo
Quando mister é ser mais complacente -
E assim me vou levando passo à frente;
Como trôpego vai um moribundo,

Vou eu galgando escarpas nesta terra,
Tombando feito aquele cego que erra
Sem ver onde se dana. E sei, contudo,

Que este estado rude e tão sanhudo
Assola tanto a reis quanto a mendigos...
E àquele a quem só falta um bom amigo.


 
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Fernando Fagundes