Soneto de instância

Não deixes, meu amor, que a alegria
Acabe; que, depois, na solidão,
Quando se entende a falta da razão,
Quando se vê envolto em agonia,

É duro, meu amor, perder o gosto,
Ver-se quedo e calado enquanto o peito
Rói-se em urros, rasgado, tumefeito
Em um pejoso canto a contragosto.

Lembra as flores, amor, lembra os passeios
Os recreios no mar, as ondas, nós!
Tantas glórias vivemos, ais sem fim!

Não deixes, meu amor, por um bobeio,
Que tudo se acabe para nós...
Não deixes que eu me vá, amor, de ti.


 
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Fernando Fagundes