Soneto da porta

"Aonde vais tão sozinho?", perguntou
Certo dia uma porta para mim.
"Vou à frente, à procura dos confins
Da existência, explorando, como um grou,

Cada parte do mundo - livre! Sou
Um morador do vento, e no jardim
Da vida só me nutro de amorim,
E bebo da paixão de quem já amou."

Ouvindo-me atenta a porta esteve,
Sem mudar da aparência - tão sisuda -
Que fez de meu discurso um tanto breve.

Então, talvez tomado de uma aguda
Dúvida, como aquele que se deve
Não sabe, entrei na porta audimuda.


 
Site feito por 
Fernando Fagundes