Soneto da mulher perfeita

Esplende, à noite, o céu quando tu passas -
És bela! Que aflautar mui bem-sonante
Semelha ao de teus lábios - tão arfantes?
Diz-me... que quedas-d'água tem a graça

E o volume crispante de teus cachos?
E, o livor, qual espúmea nuvem tem
Maior que o teu? Respondes-me: "Ninguém.
Ninguém no mundo tem o meu recacho.".

Que versos entoar a teu respeito?
Quem pode se tornar o teu consorte,
Quando és uma musa tão perfeita?

Não tardas a dizer-me: "De meu porte,
No mundo só se encontra assaz bem-feito,
Bem-feita, à minha altura, só a morte.".


 
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Fernando Fagundes