Soneto da inconstância

Quero antes beber o acaso
A perder o gosto da sorte.
Prestai-me a inconstância de tons,
Encontrada apenas do norte

Na aurora, altiva e dedirrósea,
Que os montes refulge em seu leito;
Prestai-ma, ó vós que entendeis
A dor da mesmice. Proveito

Maior hei de ter na mudança,
No tropel que desfaz a usança,
Na morte que em vida de ocaso.

Porque quando se sofre tais dores,
Tristezas e perdas de humores,
É mais doce adentrar o Parnaso.


 
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Fernando Fagundes