Soneto à mulher prestante

Quando olho essa mulher - que ombro a ombro
Batalha ao meu lado, e pena e atura,
Que mesmo na desgraça tem bravura,
E, altiva, ostenta a fronte em desassombro -,

Eu vejo uma menina que me chama,
Que é doce, meiga, e chora por abrigo
Em meu peito ao sentir-se em perigo,
Pois tem o toque frágil de quem ama.

E, mesmo que acaso o olhar eu volva,
Mesmo que toda a força eu perca, ou vá -
Forçado - à noite, errando sem caminho,

Sei que quando voltar, quando uma vez
Mais meu olho avistar sua altivez,
Seu duplo ser, verei também meu ninho.


 
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Fernando Fagundes