Retrato de um amigo

Por um lado, meu caro, eu te vejo
Como um cruento rio, a quem o sol,
De todas as maneiras, no lençol
Destas águas vermelhas, com golfejos

Libera os longos tons de seu arpejo -
Terreno onde engenho e arte prol,
De certo, ainda terão. Entanto, o artol -
Onde estas águas vão-se dar num beijo

Recrispante, de tão briosos jorros -
É uma baía triste; é um socorro
Inscrito a fogo em gritos de pavor.

Por outro lado, és ainda o amor;
De um amor sem imagem, sem limite -
O amar a cujo ardor o ser resiste.


 
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Fernando Fagundes