Noite estrelada sobre o Rhone

O HOMEM

De nós acima, a noite onusta
Seus fachos fulvos sobre o mar relança.
Vagas vem e vão, e o mundo,
Imoto, as vê fulgindo ao ultramar.

Ouve, das ondas, o chamado,
Num farfalhar de cores que lhes sulcam
Vultos, instando cantos sobre o mar -
Undíssonos sons sobre o mar.

Algum fragor medonho ouviste,
Que te causasse ao peito inquietação?
Por quê volves assim os olhos,
Cobrindo-te inteira sob o manto?

A MULHER

Um barco lúgubre eu vi,
Flutívago nas ondas que te atraem.
Promete-me que, neste barco,
Não te alçarás à noite ao ultramar...


 
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Fernando Fagundes