A rua não tomada

Duas ruas se opunham difusas num souto,
E sem sorte não pude a ambas dar uso
E sendo um só viajante demorei-me um pouco,
Contemplando a primeira, até onde, revolta,
Recurvava-se sob o relvado humifuso.

Então, tomei a outra, em beleza par,
E, sendo talvez mais que a irmã, convidativa,
Porque era gramada e se queria usar;
Ainda que os passantes, ao ali trilhar,
Tivessem-nas puído em forma parecida.

E em ambas a manhã aos poucos se irrompia
Em folhas ainda não tocadas por meus passos.
Oh, deixei a primeira para outro dia!
Mas, sabendo que via leva a outra via,
Duvidei de que para ali regressasse.

Ainda hei de contar isso, mui suspirante,
Em algum lugar anos e anos à frente:
De duas ruas várias, estava diante -
Ante esta escolha, fui-me à mais aberrante,
E isto fez-me tudo muito diferente.


 
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Fernando Fagundes