Abonaçando a tempestade

Brame a tempestade, furente e sonora,
Profligando montanhas no ventre cinéreo.
Desde os antros profundos -- abismos funéreos --,
Até o cume do Ílion, tétrica clangora.

Que entidade celeste a ti não honora,
Horríssona borrasca? Quem, dentre os sidéreos,
Não te teme, se estruis a tudo que é matéria,
Desafiando a ordem, a vida e as Horas?

Ouve atenta o sibilo que se te aproxima!
Sus! Abonança a alma, não sê tão ranheta!
Atenta à epifania que ocorre ali em cima!

Não vês que, esvoaçando as asinhas, da greta
De uma árvore, ao ver a mudança do clima,
Muda-se, agora, uma lagarta em borboleta?


 
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Fernando Fagundes